domingo, 25 de julho de 2021

cada minuto me interessa

 

[Las lágrimas de Freya | Freya's tears | Gustav Klimt 1862-1918]

a voz se calou

a voz se calou pra sempre
como se a vida não fosse
esse turbilhão de
acontecimentos
esse emaranhado de ondas
escusas
estranha mistura
ácida geometria
tristeza infinda,
amarga
torna mais viva
a dor aguda
e a vida.

ainda assim,
viver
sobre: viver
entoa o gemido calado
engasgado tormento
angústia do ser
que é e está
da vida que segue
sem trégua
martírio sem definição
flagelo sem régua
abrupta cisão
corpo-espírito
alma nobre,
vida ingrata
injusta sonata
sua vida me lembra
música
neutra, sem culpa
uma coisa contém outra
vida-morte-morte-vida

o tempo não linear
nada ficou no lugar
meu amor perdido
flutua no limbo
caminha no fio-memória
tão breve a história
tão puro o sentimento
se me visse por dentro
saberia que não sou senão
pequena
etérea, efêmera
e ainda
triste, solitária,
melancólica
fraca
duma fraqueza extrema
a culpa que fica não
supre o que falta
o que falta é muito.
o que falta é tudo
parte de mim
partiu
partiu sem mim
sem me dizer, sem se despedir
sua falta me invade como
o som que entra pela
sala de um cinema vazio
ou como a água
que extrapola duma comporta
e toma a forma do que
com ela se encontra
me preenche por inteira

não se aparte de mim,
sangue meu, lhe peço
em alguma dimensão, me devolva
o coração
a vontade de sorrir, de sentir
felicidade plena
menino de pele tão alva,
tal qual a pena
do mais nobre pássaro
me cuide no firmamento
voe livre,
criança que brinca
em meus sonhos
cachos dourados
ele tinha
tão estranho falar
de você no passado
e saber que ainda assim
é o que temos
de mais concreto
além de memória
tanta coisa em mim
é você
uma coisa em você
é minha
todos os nossos
signos

a vida de frente, atropela
tão parecidos éramos
que hoje já não somos
você se foi e eu fiquei
aqui
sem rumo,
perdida
em suma, esquecida
entre a luta, o luto
e o indizível
que é como
a verdadeira dor é

suor frio, labuta
gozo e choro.
choro e fim.
existe o fim?
a dor da gente não cessa
eternidade e saudade [...]
nada passa.

[08/07/21]

compilado de poemas a Gabriel


[via pinterest]


sigo usando a máscara

despista o vírus 
sublima a dor
esconde a face do mundo

mas cá dentro
um punhado de coisas
teimam desaguar

amor.

nada passa

 

[via pinterest]




"amo seus poemas,
até os que você não escreveu."





sexta-feira, 2 de julho de 2021

pra virar poesia



A M O R   M A R G I N A L

 

REPEAT PRA SEMPRE.

Minha flor
Não me machuques
Minha dor, não me abuses assim
Não tire mágoas, tire mágoas de mim
Meu amor
Não me invadas com o teu olhar
Não me deixes aqui a gritar
No meio do caminho, sozinho
Meu amor
Não mais deixes escapar
Nenhum desejo no teu olhar
De pecados proibidos, esquecidos
Respirando
Mágoas de uma outra dor
Do nosso caso imoral
Desse amor, desse amor marginal, eu vou
Minha flor
Não me machuques
Minha dor, não me abuses assim
Não tires mágoas, tire mágoas de mim
Meu amor
Não me invadas com o teu olhar
Não me deixes aqui a gritar
No meio do caminho, sozinho
Meu amor
Não mais deixes escapar
Nenhum desejo no teu olhar
De pecados proibidos, esquecidos
Respirando
Mágoas de uma outra dor
Do nosso caso imoral
Desse amor, desse amor marginal, eu vou
Pra calar
O sexo mais banal
Pra virar poesia
Desse amor, desse amor marginal, eu vou
Minha flor
Não mais deixe o azul dos dias nos calar
Pois nesse mundo algo há
De valer a pena, pequena
Meu amor
Me faça acreditar que tudo é possível
Pois eu temo que não amanheça
Se você se for
Respirando
Mágoas de uma outra dor
Do nosso caso imoral
Desse amor, desse amor marginal, eu vou
Pra calar
O sexo mais banal
Pra virar poesia
Desse amor, desse amor marginal, eu vou


Compositores: John Donovan Maia

encantamento

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