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o murmúrio das árvores
dançando vagarosas
seus movimentos
pendulares e
o entrelace sutil
tal qual fios
que, confundindo-se,
formam tecido
a delicada teia orgânica
de onde não posso ouvir
sequer um mísero ruído
se parece um tanto com
o meu
doce angústia perene
malgrado de vida triste
sempre melancolia ditando
o rumo dos dias
sem que eu expresse
deveras
o intento de minha aflição
sem que ele se mostre desnudo,
descortinado pra mim
seus tons de verde
- tantos são -
me fazem lembrar minhas próprias nuances
acinzentadas
poeira fina e pungente
que cai em meu peito
ardente
serão os olhos o principal
motivo de tanto sentimento?
olhos sim, não a alma,
tampouco
o coração
os olhos primeiro veem, escutam
com limpidez, sentem com espanto
janelas verdadeiras
o sol bate nas folhas
tornando-as de verde
a douradas
realça seus tons mil
livra-me, brevemente,
do vazio
porque a vida, às vezes,
contém tanta beleza
que meu coração
parece não suportar
e o fardo da tristeza
vívida outrora
mais leve fica
de carregar
[10/09. findo processo.]