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| [Before Sunset | 2004] |
Hoje quero indicar essa trilogia cinematográfica que pela qual tenho verdadeira fixação. A trajetória percorrida nos três filmes narra a história de amor de dois jovens ao longo dos anos, contemplando nuances comuns a boa parte dos relacionamentos em três tempos diferentes. Até aí não seria propriamente uma novidade, afinal, somos bombardeados por histórias românticas a todo o momento, e aqui parafraseando Celine numa das cenas de Before Sunset, porque “o amor vende”. No entanto, o que não passa despercebido e que seja talvez o grande diferencial na direção de Richard Linklater, são certamente os diálogos. É notório o destaque que ele dá a este elemento na composição do filme, como também é a profundidade que intenciona mostrar na interação entre as personagens, através de uma interlocução bem construída, articulada e repleta de simbologia. O resultado não seria outro: atuações sensíveis e que, de tão reais, sugerem quase uma fusão entre ator e personagem, como se não fosse possível dissociar um do outro.
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| [Before Sunrise | 1995] |
É o que particularmente me cativou nessa sequência: a surpresa não vem necessariamente da trama, do cenário ou de efeitos especiais; embora a fotografia belíssima de Viena, Paris e Grécia, bem como seus pontos turísticos, tenham sido delicadamente explorados. No entanto, esses componentes ficam em segundo plano quando comparados à comunicação que, cuidadosamente estruturada e estrategicamente pensada, gera uma aproximação natural entre o espectador e a narrativa; isto é, um enredo que busca se aproximar ao máximo de uma história real, mas com os elementos poéticos, como convém às histórias de amor. O resultado da cadência dialética utilizada nos três filmes marca a linguagem e a intenção de comunicar do diretor, e os torna atraentes possivelmente pela identificação provocada quase de forma imediata com as personagens, ou com ao menos algum aspecto destes, e um apelo irrecusável para ver o filme até o fim.
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| [Before Sunrise | 1995] |
Gosto dos três porque além de coesos e bem articulados tanto em imagens quanto na narrativa, têm um tempo e um enredo próprio para cada momento de uma relação. No entanto, nutro um afeto especial pelo segundo filme, Before Sunset (Antes do Pôr do Sol), e explico o porquê: cativa-se essencialmente o tom poético e simbólico do momento do reencontro, da expectativa dos amantes criada pela distância e pelo tempo entre eles, das tantas palavras que ficaram por serem ditas durante o hiato e que, ali, naquele momento, foram finalmente reveladas, e mais outras impressões que embora românticas não têm nada de clichê. Isto tudo me seduziu no ato.
A resenha e a forma como ela é construída e desenvolvida me encanta genuinamente sempre que assisto e reassisto, e me provoca sensações de conforto, prazer e acolhimento (talvez porque também eu compartilhe com a protagonista angústias e sentimentos acerca do que é o amor, a paixão e o que são os relacionamentos). Algo como um extasiamento, um deslumbre que me faz querer viver um amor assim (se já não o tiver vivido), um desejo de ser consumida pelo filme enquanto o consumo.
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| [Before Midnight | 2013] |
Ao que parece essa resenha se estendeu mais do que eu planejava, mas isso me traz à luz o poder da arte, ou a sua função (se é que ela existe declaradamente), de te fazer sair do seu lugar de conforto, de suscitar em você pensamentos, reflexões, ideias e modelos de vida pra além do convencional. Só por isso já valeria a pena. Não é só sobre um filme. Em se tratando de arte, nunca é uma coisa só.




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