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Estou sentada no chão do quarto
da casa que agora chamo minha. As “obrigações” do que ainda ficou por resolver
me esperam e espreitam-me logo ao lado, tão de perto que é impossível ignorá-las. Mas,
por ora, eu só desejo estar aqui, ouvindo “A Woman Left Lonely”, nas notas
marcantes de Janis Joplin, enquanto contemplo o que realizei.
Não o fiz sozinha, como se
poderia supor, no entanto, sinto que devo em algum nível, a uma outra eu (ou a
uma parte significativa de mim mesma), essa paz e serenidade que agora sinto. Um
misto de sensações me invade e seguramente passam pelo prazer.
Outrora cheguei a pensar que o
maior sentimento que teria quando alcançasse meu objetivo, que já o era há
algum bom tempo, seria um orgulho imenso e uma satisfação desmedida, ao ponto
de eu querer gritar ao mundo tal felicidade, o motivo do meu contento.
Hoje, embora muitíssimo entusiasmada e feliz, apenas espero que consiga dar conta dessa nova realidade que cobra seu preço (espero estar pronta a pagá-lo rs). E não só isso, mas também assumir esse novo passo que escolhi dar (pude escolher, importante lembrar!)
com coragem, serenidade e determinação, mesmo quando surgirem incertezas
pelo meio do caminho.
Fumo meu baseado só, sentada no
chão do quarto, ao mesmo tempo em que Janis me acompanha com seus
agudos potentes. Há tanto tempo essa cena povoa meu imaginário e se sustenta em minha mente! (...). Há tanto sonho, desejo, mentalizo esse acontecimento e aqui estou, plantada na realidade. Parece
surreal. Uma psicodelia, quase. Como se alguma coisa me tivesse tirado de um
outro lugar e me deslocado para esse cenário em que estou aqui, apenas comigo
e meus pensamentos, contemplando ideias que talvez só sirvam ao meu próprio ego
cansado, mas que se regozija com o realizado, com o desejo materializado.
A cena da noite sendo iluminada
por uma lua grande, bem cheia, enquanto tomo serena uma taça de vinho,
leio poemas, fumo um cigarro e contemplo minha própria existência e
insignificância e, apesar disso, sou feliz por ter conseguido tornar real ao
menos um grande sonho - o de morar sozinha – ainda não se desfez, apesar dessa
que acontece bem agora, durante o tempo em que escrevo. Janis é magnífica! O que
tudo isso quer me ensinar? O que me quer mostrar? Há razão nisso tudo? Sou apenas
guiada pelos meus impulsos? O que me trouxe até aqui?
Epifania.
Comecei isso para dizer apenas
que estava feliz com essa conquista, e essas coisas que as pessoas costumam
dizer quando algo dá certo na vida delas, e agora meu ego fala por mim.
Acabo, então, bruscamente, antes
que ele me afogue.
Estou feliz.
[20/01/2021]
