quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

tecendo a teia da vida





RESOLUÇÕES DE ANO NOVO

 

Estou sentada no chão do quarto da casa que agora chamo minha. As “obrigações” do que ainda ficou por resolver me esperam e espreitam-me logo ao lado, tão de perto que é impossível ignorá-las. Mas, por ora, eu só desejo estar aqui, ouvindo “A Woman Left Lonely”, nas notas marcantes de Janis Joplin, enquanto contemplo o que realizei.

Não o fiz sozinha, como se poderia supor, no entanto, sinto que devo em algum nível, a uma outra eu (ou a uma parte significativa de mim mesma), essa paz e serenidade que agora sinto. Um misto de sensações me invade e seguramente passam pelo prazer.

Outrora cheguei a pensar que o maior sentimento que teria quando alcançasse meu objetivo, que já o era há algum bom tempo, seria um orgulho imenso e uma satisfação desmedida, ao ponto de eu querer gritar ao mundo tal felicidade, o motivo do meu contento.

Hoje, embora muitíssimo entusiasmada e feliz, apenas espero que consiga dar conta dessa nova realidade que cobra seu preço (espero estar pronta a pagá-lo rs). E não só isso, mas também assumir esse novo passo que escolhi dar (pude escolher, importante lembrar!) com coragem, serenidade e determinação, mesmo quando surgirem incertezas pelo meio do caminho.

Fumo meu baseado só, sentada no chão do quarto, ao mesmo tempo em que Janis me acompanha com seus agudos potentes. Há tanto tempo essa cena povoa meu imaginário e se sustenta em minha mente! (...). Há tanto sonho, desejo, mentalizo esse acontecimento e aqui estou, plantada na realidade. Parece surreal. Uma psicodelia, quase. Como se alguma coisa me tivesse tirado de um outro lugar e me deslocado para esse cenário em que estou aqui, apenas comigo e meus pensamentos, contemplando ideias que talvez só sirvam ao meu próprio ego cansado, mas que se regozija com o realizado, com o desejo materializado.

A cena da noite sendo iluminada por uma lua grande, bem cheia, enquanto tomo serena uma taça de vinho, leio poemas, fumo um cigarro e contemplo minha própria existência e insignificância e, apesar disso, sou feliz por ter conseguido tornar real ao menos um grande sonho - o de morar sozinha – ainda não se desfez, apesar dessa que acontece bem agora, durante o tempo em que escrevo. Janis é magnífica! O que tudo isso quer me ensinar? O que me quer mostrar? Há razão nisso tudo? Sou apenas guiada pelos meus impulsos? O que me trouxe até aqui?

Epifania.

Comecei isso para dizer apenas que estava feliz com essa conquista, e essas coisas que as pessoas costumam dizer quando algo dá certo na vida delas, e agora meu ego fala por mim.

Acabo, então, bruscamente, antes que ele me afogue.

Estou feliz.

[20/01/2021]

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