sexta-feira, 16 de abril de 2021

só dure o tempo que mereça


[https://www.youtube.com/watch?v=HNeoAobIjJI]


Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções
Como as paixões e as palavras
Me veja nos seus olhos
Na minha cara lavada
Me venha sem saber
Se sou fogo, se sou água
Amor, meu grande amor
Me chegue assim, bem de repente
Sem nome ou sobrenome
Sem sentir o que não sente
Que tudo que ofereço
É meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo
Amor, meu grande amor
Só dure o tempo que mereça
E quando me quiser
Que seja de qualquer maneira
E quando me tiver
Que eu seja a última e a primeira
E quando eu te encontrar
Meu grande amor, me reconheça
Que tudo que ofereço
É meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo
Composição: Ângela Ro Ro

sábado, 10 de abril de 2021

pequeno ensaio sobre nada

Tenho receio de minha máscara cair. De me verem com sou, sem véu, sem essa maldita capa a que sou forçada usar, que invisibiliza meu eu mais profundo e honesto. Que haverá por debaixo? Eu mesma não sei responder a essa pergunta. Às vezes sinto curiosidade, outras só desconfiança pelo eu desconhecido. Recolhido. Desacordado. Mas que me habita. E que certas vezes ocupa meus pensamentos por longos minutos e horas, levando-me a crer que a qualquer momento posso ser dominada por ele. E daí, a pergunta: como seria? A incerteza da resposta que prontamente me escapa traz consigo medo. Tantos com a plena certeza de quem são e do que querem, enquanto eu me recolho cada vez mais ao meu caos interior. Conflito interno. E isto não sei se é ruim ou bom, nem em que medida. Fato é que ter medo do que se esconde por trás das cortinas da pele pressupõe que já se tenha uma ideia, ainda que vaga, do que se é, conscientemente ou não. Entende? Quando assumo que tenho receio de minha máscara cair, em outras palavras, afirmo que há algo de escandalizador em mim. 

Ao mesmo tempo, é exaustivo sustentar a máscara social. Carregá-la, andar com ela por aí. Tentar fazê-la natural, cotidiana, não falsa. O cansaço é extremo. A recompensa, ao contrário, não compensa. 

Outono chegou de vez, mais uma vez. É começo de abril e a minha capacidade de mudar bruscamente de assunto não me impedirá de pensar sobre e de retomar o tema inicial dessas linhas; continuo a pensar no que há por detrás de minhas próprias cortinas, e às vezes chego a me excitar com isso. Outras, encaro com desassossego. Talvez o sentido de tudo é que nada mesmo faça sentido e que esse questionamento sobre quem sou ecoe sem conclusões definitivas.

Me resta então deixar que o tempo e as experiências me tragam essa resposta (ou não), e não esquecer de usar a palavra para registrar tais impressões. 


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encantamento

[on the road]  é meia noite lembranças de outrora desejos de agora daqui, de dentro, do centro de mim "munida das minhas bics" exp...