Tenho receio de minha máscara cair. De me verem com sou, sem véu, sem essa maldita capa a que sou forçada usar, que invisibiliza meu eu mais profundo e honesto. Que haverá por debaixo? Eu mesma não sei responder a essa pergunta. Às vezes sinto curiosidade, outras só desconfiança pelo eu desconhecido. Recolhido. Desacordado. Mas que me habita. E que certas vezes ocupa meus pensamentos por longos minutos e horas, levando-me a crer que a qualquer momento posso ser dominada por ele. E daí, a pergunta: como seria? A incerteza da resposta que prontamente me escapa traz consigo medo. Tantos com a plena certeza de quem são e do que querem, enquanto eu me recolho cada vez mais ao meu caos interior. Conflito interno. E isto não sei se é ruim ou bom, nem em que medida. Fato é que ter medo do que se esconde por trás das cortinas da pele pressupõe que já se tenha uma ideia, ainda que vaga, do que se é, conscientemente ou não. Entende? Quando assumo que tenho receio de minha máscara cair, em outras palavras, afirmo que há algo de escandalizador em mim.
Ao mesmo tempo, é exaustivo sustentar a máscara social. Carregá-la, andar com ela por aí. Tentar fazê-la natural, cotidiana, não falsa. O cansaço é extremo. A recompensa, ao contrário, não compensa.
Outono chegou de vez, mais uma vez. É começo de abril e a minha capacidade de mudar bruscamente de assunto não me impedirá de pensar sobre e de retomar o tema inicial dessas linhas; continuo a pensar no que há por detrás de minhas próprias cortinas, e às vezes chego a me excitar com isso. Outras, encaro com desassossego. Talvez o sentido de tudo é que nada mesmo faça sentido e que esse questionamento sobre quem sou ecoe sem conclusões definitivas.
Me resta então deixar que o tempo e as experiências me tragam essa resposta (ou não), e não esquecer de usar a palavra para registrar tais impressões.
![]() |
| [Pinterest] |

Nenhum comentário:
Postar um comentário