sábado, 15 de maio de 2021

em vão

 

[Louis Garrel & Gaspard Ulliel, Saint Laurent, filme de 2014] 


me deixa te fazer um poema. uma ode. uma menção. me deixa te usar como inspiração. quem sou eu para falar de amor, se o amor me consumiu até a espinha?
o amor é uma selvageria.

sábado, 8 de maio de 2021

o amor é uma selvageria


[Homem tentando se proteger do amor, debaixo do seu próprio coração. - Susano Correia]


o amor
bicho tolo
hospedando-se em lugares
que desconheço

o amor
deu tantas voltas
até retornar
à paixão

sexta-feira, 7 de maio de 2021

tristeza não tem fim?

    



descartáveis


a dor me ampara

tem sido minha 

companheira 

pelos dias passantes,

presentes

ainda assim

é preciso seguir - 

dizem - 

agir, viver, reagir

mesmo com essa dor

incrustrada na gente

o buraco no peito

a melancolia que

já virou rotina

uma rotina doída,

amarga


ninguém sabe o que

fazer

o que dizer

avalanche de

mortes

que não cessa

diárias, infindas

perde-se a cor,

alegria ninguém mais

sabe o que é


cenário de guerra

campo minado

em que a peça

é você

episódio de

dor intensa e

profunda

campo de concentração

de angústias

e perdas


quantos adjetivos

mais pra nomear 

tamanho desamparo?


culpa - crime

tem sobrenome, 

nome, endereço e

sangue na mão

homicídios

genocídios

a nação de luto


- luto com poesia.


o que nos resta?

o que mais falta pra 

perder?



[pinterest]




aqui, ali, em qualquer lugar

 

[pinterest]


nostalgia
poeira fina que
cai
do céu que já
se foi

anestesia



[pinterest]


quem não tá
sentindo
essa dor de existir
tá sentindo
o quê?



domingo, 2 de maio de 2021

alto padrão

 

preciosidade. 
dessas que a gente quer guardar, cuidar, não deixar se perder nunca.



o amor

sob outra ótica
mesmo que triste
melancólico
o amor também 
é feliz
com acordes maiores

ele é tudo isso

como o brasil
como a força e talento
natos da gentes 
dessa terra dura
triste, sofrida
mas que, 
a despeito da dor, 
produz arte da melhor 
qualidade

ALTO PADRÃO

obrigada, Céu,
pelo encontro fortuito.

obrigada, Martinho,
por ser tão brasileiro.

agora, a letra.


Já caçou bem-te-vi
Insitiu no sofrê
É o diabo
Gaiolou curió
E calou o mainá
É o diabo

Segurou com o visgo da jaca
Cambaxirra, coleiro cantor
Tal e qual me prendeu a morena dendê
No amor...
São Francisco, amigo da mata
Justiceiro, viveiro quebrou
Mas não viu que a morena maltrata e me faz sofredor

Minha terra tem sapê, arueira
Onde canta o sabiá
E a morena quer me ver na poeira
E sem asa prá voar

Composição: Martinho da Vila

chão de estrelas

a música que faz filme
o filme que vira música
as artes se entrelaçando
dançando entre si
a imagem, a condução
a intersecção necessária
a dependência de uma pela
outra
os contornos
as diferentes linhas que tecem
o fio poesia
amor, paixão, loucura
- o amor é uma selvageria -
não era preciso escrever
nada
só era (é) preciso sentir.

[02/05/2021]


brasil pulsa. brasil é cinema. brasil é arte infinda.



Volta
Que o caminho dessa dor me atravessa
Que a vida não mais me interessa
Se você vai viver com um outro rapaz
Volta
Que eu perdoo teus caminhos, teus vícios
Que eu volto até o início
Te carregando mais uma vez de volta do bar
Volta
Que sem você eu já não posso viver
É impossível ter de escolher
Entre teu cheiro e nada mais
Volta
Me diz que o nosso amor não é uma mentira
E que você ainda precisa
Mais uma vez se desculpar
Então procurei
Nos bares da aurora me lamentei
E confesso que talvez joguei
Tuas fotos e discos no mar
Então procurei
Pelo teu cheiro nas ruas que andei
Nos corpos dos homens que amei
Tentando em vão te encontrar
Então procurei
Nos bares da aurora me lamentei
E confesso que talvez joguei
Tuas fotos e discos no mar
Então procurei
Pelo teu cheiro nas ruas que andei
Nos corpos dos homens que amei
Tentando em vão te encontrar
Volta
Que o caminho dessa dor me atravessa
Que a vida não mais me interessa
Se você vai viver com um outro rapaz
Volta
Que eu perdoo teus caminhos, teus vícios
Que eu volto até o início
Te carregando mais uma vez de volta do bar
Volta

[Tatuagem, 2013]

eu te amo

depois de assistir a uma série de trilha sonora impecável, fiquei com esse som na cabeça. lindo, exuberantemente poético, romântico. tomei a letra pra mim. a melodia, a harmonia, o arranjo instrumental e de voz. um deleite!




Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

Composição: Chico Buarque

encantamento

[on the road]  é meia noite lembranças de outrora desejos de agora daqui, de dentro, do centro de mim "munida das minhas bics" exp...