a dor me ampara
tem sido minha
companheira
pelos dias passantes,
presentes
ainda assim
é preciso seguir -
dizem -
agir, viver, reagir
mesmo com essa dor
incrustrada na gente
o buraco no peito
a melancolia que
já virou rotina
uma rotina doída,
amarga
ninguém sabe o que
fazer
o que dizer
avalanche de
mortes
que não cessa
diárias, infindas
perde-se a cor,
alegria ninguém mais
sabe o que é
cenário de guerra
campo minado
em que a peça
é você
episódio de
dor intensa e
profunda
campo de concentração
de angústias
e perdas
quantos adjetivos
mais pra nomear
tamanho desamparo?
culpa - crime
tem sobrenome,
nome, endereço e
sangue na mão
homicídios
genocídios
a nação de luto
- luto com poesia.
o que nos resta?
o que mais falta pra
perder?

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