sexta-feira, 7 de maio de 2021

tristeza não tem fim?

    



descartáveis


a dor me ampara

tem sido minha 

companheira 

pelos dias passantes,

presentes

ainda assim

é preciso seguir - 

dizem - 

agir, viver, reagir

mesmo com essa dor

incrustrada na gente

o buraco no peito

a melancolia que

já virou rotina

uma rotina doída,

amarga


ninguém sabe o que

fazer

o que dizer

avalanche de

mortes

que não cessa

diárias, infindas

perde-se a cor,

alegria ninguém mais

sabe o que é


cenário de guerra

campo minado

em que a peça

é você

episódio de

dor intensa e

profunda

campo de concentração

de angústias

e perdas


quantos adjetivos

mais pra nomear 

tamanho desamparo?


culpa - crime

tem sobrenome, 

nome, endereço e

sangue na mão

homicídios

genocídios

a nação de luto


- luto com poesia.


o que nos resta?

o que mais falta pra 

perder?



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