sexta-feira, 16 de outubro de 2020

ânsia da idade

[Ethereal And Atmospheric Female Portraits | By Alessio Albi]

no feixe de luz
que incide sobre teus cabelos
vejo a dura realidade
das manhãs tristes
da angústia engasgada
e da ansiedade
que persiste
sabes que a vida
é isso
então, porque te importas?
melhor é viver
absolutamente
como se amanhã
não fosse chegar
nunca.

[Ago/20]


Lembro-me de quando compus esse poemeto. Ainda tendo a me sentir impostora e talvez até petulante ao me referir a mim como alguém que escreve poemas. Primeiro, porque o meu acervo é pequeno; depois porque, embora admiradora e consumidora assídua desde nova desse tipo de texto, nunca supus que pudesse fazê-lo. Honestamente não me considero capaz nem articuladamente boa o suficiente para esse ofício que considero tão raro e essencial para a existência humana. Mas não pude conter algumas ideias que gritam em mim e que encontraram, na poesia, um meio espontâneo de se expressar. 

Pois bem, dizia de quando escrevi este conjunto de palavras e a lembrança que tenho é a de que ele surgiu em meio a uma semana difícil de agosto, como tem sido muitos dos meus últimos dias, em que eu estava mergulhada numa crise aguda de ansiedade, repensando vários pontos da minha vida pessoal e profissional, duvidando de outros tantos e desejando profundamente não me sentir mais assim. E então, essa mistura ácida de sensações deu vazão a estes versos simples mas honestos, que além de me aliviarem a alma, me trouxeram também a compreensão de que eu não tenho o controle de tudo, muito ao contrário; mas, mais que isso: de que eu não preciso de fato ter. Escrever conforta. Se minha recomendação servir pra alguém, está feita.

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