sexta-feira, 16 de outubro de 2020

doidice

[Portrait | Nirav Patel]



Sou um fio solto com extremidades desapontadas, trêmulo à menor vibração da matéria adjacente. Sou anel de metal e papel, rígido ao fogo e cedente à água que escorre constrangida dos olhos à boca. Assim se rompe o compromisso do descompromisso e já não amo omisso. No tempo só existe ausência; na espera, vazio. Sólida é a solidão, somente. O resto é abstração, é disforme como o texto, é ilusão. É porque o presente quase não existe. 

[H. Croscato | 2013]


 

Nunca consegui decifrar por completo esse texto. O que sei é que eu gosto bastante dele. Desde a sua feitura me suscita, quando leio, interpretações múltiplas. As imagens que o autor usa, as metáforas, ideias sobre amor, solidão e tempo são questões que exercem na minha vida uma influência real e constante, como também norteiam muitos dos pensamentos que habitam minha mente caótica. 

Sempre me interessei por temas que tangem o surreal, o além do real, tanto no mundo das imagens quanto no das palavras. Passagens que flertam com solidão, abstração e amor, embora não palpáveis, existem com uma força potente. Pra mim, pelo menos. Acredito que a frase que encerra o excerto é, além de verídica e paradoxal, muito precisa e poética. Agradeço às mentes barulhentas que traduzem suas urgências através dos versos e das palavras. Que continuemos assim.





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